Sambaquis encontrados no sítio arqueológico Ilha do Casqueirinho, em Cubatão, comprovam a presença humana nessa região de mangue no pé da Serra do Mar, no litoral paulista, há mais de 5 mil anos, muito antes da chegada dos colonizadores e mesmo dos povos indígenas que habitavam o lugar por volta de 1500. Sambaquis são aglomerados de conchas, ossos, resíduos orgânicos e, muitas vezes, ferramentas de pedra lascada e polida, usadas pela população de caçadores-coletores nômades que se alimentavam dos mariscos e caranguejos abundantes no local.
O português Martim Afonso de Souza (1500-1564), que em 22 de janeiro de 1532 chegou à região, encontrou ali os tupiniquins e utilizou a trilha aberta por eles, que partia de Piaçaguera, em Cubatão, para chegar ao planalto, onde depois seria fundada São Paulo. Esse caminho foi usado pelos colonizadores até 1560 para transportar o que quer que fosse explorado no alto da serra para as embarcações, mas teve que ser abandonado devido à forte resistência indígena, que atacava os portugueses que se arriscavam por ali.
A trilha tupiniquim foi substituída pelo caminho do Padre José, traçado no vale do rio Perequê, mas que também não facilitava o acesso ao planalto, sendo necessários cerca de quatro dias para subir até São Paulo, agarrando-se às raízes das árvores. Ainda assim, foi o caminho utilizado até 1792, quando foi inaugurada a calçada do Lorena. A província de São Paulo começava a crescer economicamente, produzindo gêneros agrícolas que eram exportados para Portugal pelo porto de Santos, e os caminhos então existentes eram insuficientes para o trânsito de animais de carga. O nome do novo caminho, construído com pedras, entre o rio das Pedras e o rio Cubatão, foi dado em homenagem a seu idealizador, o fidalgo português Bernardo José Maria de Lorena (1756-1818), governador da capitania de São Paulo entre 1788 e 1798.
A calçada também se tornaria insuficiente meio século depois com o constante crescimento da movimentação entre o porto de Santos e São Paulo. Em 1846, D. Pedro II inaugurou a estrada da Maioridade, que ficaria conhecida como caminho do Mar, e ligava o planalto até a margem esquerda do rio Cubatão. “Os viajantes, principalmente estrangeiros, ficavam impressionados com a movimentação do pequeno povoado. Um exemplo foi o francês Hércules Florence que, em 1825, descreveu sua passagem por Cubatão da seguinte forma: ‘Via diariamente chegar três a quatro tropas de animais e outras tantas partiam. Cada tropa compõe-se de 40 a 80 bestas de carga (...). Ao descerem de São Paulo, vêm carregadas de açúcar bruto, toucinho e aguardente de cana, e voltam levando sal, vinhos portugueses, fardos de mercadorias, vidros, ferragens e outras mercadorias’. Segundo historiadores, cerca de 20 mil mulas carregadas de mercadorias passavam por Cubatão todos os anos”, escreveram Cesar Cunha Ferreira, Francisco Rodrigues Torres e Welington Ribeiro Borges no livro Cubatão: Caminhos da história (Cubatão, SP: Ed. do Autor, 2007).
A passagem do artista e cientista francês Hercule Florence (1804-1879) por Cubatão é da mesma época dos desenhos vistos aqui, feitos pelo naturalista inglês William Burchell (1781-1863), que seguiu do porto de Santos até São Paulo, passando por São Bernardo, em 1826. O pouso de tropeiros (desenho acima) se tornou um símbolo da cidade, que conta também com um monumento em homenagem a esses trabalhadores que promoveram o desenvolvimento do povoado, no antigo Largo do Sapo, que abrigava o Porto Geral de onde eram despachadas mercadorias pelo rio Cubatão até o porto.
Com a construção da ferrovia Santos-Jundiaí, em 1867, Cubatão perdeu sua importância como principal ponto de ligação entre São Paulo e Santos. O cultivo da banana substituiu a atividade portuária e se tornou o principal ativo econômico da região, sendo exportada para a Europa.
No século XX, a localização privilegiada de Cubatão levou à instalação de muitas indústrias no município que, nos anos 1980, se tornou o mais poluído do mundo, conhecido como “vale da morte”. Enormes quantidades de poluentes foram despejadas no ar e nos rios, peixes e pássaros sumiram da região, que teve mais de 60 km2 de Mata Atlântica devastados. A cidade se tornou líder em casos de problemas respiratórios no país e muitos bebês começaram a apresentar problemas neurológicos, anencefalia ou eram natimortos.
A partir de 1983 foi implantado, pelo governo, as indústrias e a população, um plano de recuperação ambiental e, em 1989, as 320 fontes poluentes que existiam na época já estavam controladas e foi promovida a recuperação da Mata Atlântica com o replantio da vegetação nativa. Em 1992, durante a Eco 92, Cubatão foi apontada pela ONU como símbolo de Recuperação Ambiental, com 98% do nível de poluentes controlados.