O teatro surgiu no Brasil ainda no período da colonização com os autos catequizadores que os jesuítas apresentavam para os indígenas em praças, igrejas e ruas. Os missionários, que utilizavam a linguagem teatral e eventualmente a língua dos povos originários para a conversão ao cristianismo, têm o padre José de Anchieta (1534-1597) como o primeiro dramaturgo do país. Depois vieram as encenações religiosas misturadas às festas populares, como a encenação da Via Crucis, que incluíam toda a população das aldeias e vilas que estavam surgindo.

Somente no final do século XVIII começaram a ser construídos espaços próprios para as encenações teatrais, as chamadas casas de ópera, nos moldes europeus. O primeiro deles, a Casa de Ópera de Vila Rica, construída em 1746, resiste até hoje com o nome de Teatro de Ouro Preto, em Minas Gerais, e é considerado o mais antigo do país.

Grand Théâtre a Bahia

Na Bahia, a primeira capital da colônia, o Teatro São João (acima) começou a ser construído em 1806. Com capacidade para 800 lugares, o espaço foi muito frequentado pela aristocracia e tornou-se palco de importantes momentos históricos, até ser destruído por um incêndio em 1923. O teatro ficava onde hoje é a Praça Castro Alves, no centro de Salvador. Entre 1857 e 1874, funcionou ali o Conservatório Dramático da Bahia, onde se reuniam escritores e grupos teatrais. O poeta e dramaturgo baiano Castro Alves (1847-1871) era um frequentador assíduo e estreou neste teatro sua peça Gonzaga, em 1867. A gravura acima, do livro Brasil Pitoresco, publicado em 1861, do jornalista francês Charles Ribeyrolles (1812-1860), foi feita a partir de uma fotografia do também francês Victor Frond (1821-1881).

Theatro Imperial. Theatre

O Rio de Janeiro, a segunda capital da colônia, precisou aguardar a chegada da família real, em 1808, para ganhar sua casa de espetáculos nos moldes europeus. O Real Theatro de São João, assim batizado em homenagem a D. João VI (1767-1826), foi inaugurado em 1813 e se tornou o principal ponto de encontro da corte e da elite. O teatro passou por várias transformações e nomes. Em 1824, depois de sofrer um primeiro incêndio, foi rebatizado de Imperial Theatro São Pedro de Alcântara, para homenagear D. Pedro I (1798-1834), que, já imperador do Brasil, fazia pronunciamentos ao povo da sacada do teatro. Na gravura acima, do álbum Saudades do Rio de Janeiro, do alemão Karl Wilhelm von Theremin (1784-1852), que atuou como cônsul no Rio de Janeiro entre 1820 e 1835, vemos a casa de espetáculos em seu auge. Depois da abdicação de D. Pedro I, o espaço passou a se chamar Theatro Constitucional Fluminense, mas o edifício sofreu com novos incêndios e reformas até ser completamente reconstruído no século XX, quando ganhou o nome de Teatro João Caetano, em funcionamento até hoje na Praça Tiradentes, no centro do Rio de Janeiro.

Largo do Theatro e Palácio do Governo

Entre os teatros que podemos ver neste portal, o de Recife é o mais novo e que teve melhor sorte, apesar de também ter sofrido com incêndios. O Teatro de Santa Isabel, batizado em homenagem à princesa, foi inaugurado em 1850 depois de passar dez anos em construção sob o comando do engenheiro francês Louis Léger Vauthier (1815-1901). As luminárias a óleo, usadas para a iluminação, provocaram, em 1869, um incêndio que praticamente destruiu o teatro. A reconstrução, que seguiu todos os parâmetros do original, começou dois anos depois e a reinauguração ocorreu em 1876. Palco de muitos espetáculos, o edifício serviu também para reuniões em momentos históricos da cidade, como as campanhas abolicionista e republicana. Foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Artístico Nacional (Iphan) em 1949 e continua em pleno funcionamento.

Na gravura acima, do pintor alemão Emil Bauch (1823-1890), publicada em 1852 no álbum Souvenirs de Pernambuco, vemos o teatro à esquerda e é possível observar a semelhança entre os três edifícios, todos inspirados no estilo neoclássico europeu. A gravura abaixo, do pintor e litógrafo suíço Luis Schlappriz, do álbum Memória de Pernambuco – Álbum para os amigos das artes, de 1863, mostra uma vista da cidade tomada do terraço do teatro, onde figuram damas bem-vestidas.

Vista do Recife tomada do salão do Theatro de S. Isabel