O alemão Friedrich Hagedorn (1814-1889) foi um dos artistas mais produtivos no Brasil na segunda metade do século XIX, mas pouco se sabe sobre sua vida. Ele nasceu em uma cidade chamada Altdamm, então na Alemanha, que depois da Segunda Guerra Mundial foi incorporada a Szczecin, na Polônia, e chegou ao Brasil em1850 e teria antes trabalhado, entre 1844 e 1847, como artista da corte de Lisboa.
Como outros artistas estrangeiros, Hagedorn veio tentar a vida e publicou anúncios de seu ateliê no Almanaque Laemmert. Também é sabido que apresentou trabalhos na Exposição Geral de Belas Artes de 1859 e de 1862. Hagedorn viajou pela província do Rio de Janeiro, passando pelas cidades de Teresópolis, Petrópolis e Niterói, e também esteve em Minas Gerais, Bahia e Pernambuco.
A gravura acima é um panorama da cidade do Recife, publicado por volta de 1855, formado por três partes distintas e litografado pelo francês Alfred Guesdon (1808-1876). Apesar de também ser litógrafo, Hagedorn teve suas obras reproduzidas por diferentes editoras que atendiam ao interesse comercial por suas paisagens e panoramas e proporcionaram sua grande divulgação.
Alguns de seus desenhos foram impressos pela Litografia Lemercier, em Paris, como a gravura acima, editada pelo litógrafo e fotógrafo suíço radicado no Brasil, George Leuzinger (1813-1892), que apresenta a entrada da barra do Rio de Janeiro vista do morro da Babilônia, e a obra abaixo, outra vista da cidade tomada do Morro da Conceição, gravada pelos franceses Eugène Cicéri (1813-1890) e Philippe Benoist (1813-1896).
Hagedorn tem obras em diversos museus brasileiros e na Europa, além da presença na The Hispanic Society of America, em Nova Iorque. No acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo, temos duas pinturas (guache sobre papel) do artista, uma do Pão de Açúcar e outra da praia de Boa Viagem (abaixo), as duas do Rio de Janeiro.
Comparando a gravura da vista tomada do morro da Babilônia (mais acima, sem título) com a pintura do Pão de Açúcar (abaixo) é possível perceber como as obras de Hagedorn eram aproveitadas nas litografias: personagens são inseridos na cena, nesse caso parece ser um grupo de escravizados descansando e um capataz, para representar a visão europeia da vida brasileira e também dar a dimensão grandiosa da paisagem.
O artista morreu no Rio de Janeiro no mesmo dia e ano da proclamação da República.