Os papagaios, assim como as araras e os periquitos, pertencem à família Psittacidae e, com o cérebro mais desenvolvido do que o de outras aves, têm a capacidade de imitar diversos tipos de som, inclusive a fala humana. Eram adotadas como animais de estimação pelos indígenas, que também usavam suas penas como ornamentos e sua carne como alimento. Essas aves chamaram logo a atenção dos colonizadores que batizaram o território de "terra dos papagaios" e se interessaram em levar muitos espécimes, encantados com o colorido de suas penas e a capacidade de interagir com os humanos. Assim, elas se tornaram desde o século XVI uma das principais vítimas do tráfico de animais. Nos últimos séculos, a destruição dos habitats dessas aves também contribuiu para seu desaparecimento na natureza. Algumas espécies, como a arara-vermelha-grande (Ara chloropterus), são hoje monitoradas por associações que cuidam das aves e as reintroduzem em ambiente natural. No último mês, dois filhotes nasceram em vida livre, no sul da Bahia. Já a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) está extinta na natureza e muitas outras espécies se encontram hoje na situação denominada como "vulnerável".

Ara hyacinthinus

O ornitólogo francês Jean Théodore Descourtilz (1796-1855) chegou ao Brasil em 1830 e registrou em seu livro Histoire des Oiseaux du Brésil, publicado em 1854, algumas dessas aves brasileiras. A arara-azul (acima), a maior representante da família, pode chegar a um metro de altura e ser avistada nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Goiás, Minas Gerais, Bahia, Piauí, Maranhão, Pará e Amapá.

Ara aracanga / Ara cryssosema

A aracanga (acima), também conhecida como arara-vermelha ou arara-vermelha-pequena, é um dos símbolos do país, desenhada em 1502 no primeiro mapa do Brasil. Ainda não está ameaçada de extinção, mas já desapareceu de algumas regiões onde vivia e hoje predomina na Amazônia. Na mesma ilustração, está a maracanã-de-colar, ou ararinha-de-colar, ainda não ameaçada e presente em várias áreas do país, como o Pantanal, em Mato Grosso, Tocantins, Goiás, Bahia e Pará.

Ara ararauna / Ara severus

A arara-canindé, também conhecida arara-de-barriga-amarela, tem sofrido com a diminuição de sua população, já que é bastante procurada por sua beleza e esperteza. Encontra-se espalhada pelo Brasil, da Amazônia até o Paraná. A outra arara da ilustração acima é a maracanã-guaçu, menos ameaçada e vive no Brasil em matas ciliares e buritizais da Amazônia à Bahia e também em Mato Grosso.

Psittacus cyanogaster / Prittacus accipitrinus / Prittacus vinaceus

Na gravura acima, vemos o sabiá-cica, a anacã e o papagaio-de-peito-roxo. O primeiro ganhou esse nome porque imita o canto do sabiá e, de acordo com a região, recebe diferentes nomes, como cunhataí, mãe-de-sabiá e papagaio-da-capoeira, entre outros. Antigamente podia ser visto em toda a costa da Mata Atlântica, do sul da Bahia até o Rio Grande do Sul. Hoje está menos presente no Espírito Santo e em São Paulo, e parece extinto no sul da Bahia. A anacã, também conhecida como papagaio-de-coleira, se destaca pela plumagem vermelha e azul do pescoço, ainda não está ameaçada e vive na Amazônia. Já o terceiro, o papagaio-de-peito-roxo, encontra-se ameaçado de extinção pelo contrabando e a destruição de seu habitat, no Sudeste e Sul do Brasil.

Psittacus cyanogaster / Prittacus accipitrinus / Prittacus vinaceus

Nesta última gravura, vemos representantes menores da mesma família Psittacidae, como o tiriba-grande, com cerca de 30 centímetros, o maior do seu gênero e que está ameaçado, já que seu habitat é a Mata Atlântica, um dos biomas mais deteriorados do país. Mas em pior situação está o ararajuba , também conhecido como guaruba ou guarajuba, que se destaca pela sua coloração amarela com as pontas das asas verdes. É uma ave exclusiva do Brasil (muitas das anteriores também podem ser encontradas em outros países da América Latina), endêmica no Maranhão e nas partes do Amazonas em que o desmatamento tem sido mais intenso.